Fonte Nova: tragédia de velhos defeitos

Novembro 27, 2007

Já são bem conhecidas a precariedade e a insegurança das praças esportivas do país por todos aqueles que acompanham de perto as partidas de seus times favoritos.

A tragédia da Fonte Nova é a mais nova evidência do despreparo e da falta de profissionalismo que ditam os descaminhos do Futebol brasileiro.

Aliás, a má gestão é regra em toda estrutura da administração pública nacional.

Não seria diferente com o Estádio do Bahia, propriedade do Governo Estadual.

E não foi.

As autoridades competentes ignoraram a gravidade dos laudos da vistoria que, meses atrás, condenaram toda estrutura do estádio.

Para evitar acidentes, o anel superior foi interditado.

Apenas alguns reparos foram feitos e o anel superior foi novamente aberto ao público.

Os problemas permaneceram.

Semanas após: as vítimas.

Como na intermitente Crise Aérea, as providências foram tomadas somente após a morte de inocentes. Pessoas que confiaram suas vidas a segurança oferecida pelos governantes.

As autoridades são assassinas? Não. Contudo, irresponsáveis.

Pensar soluções e agir:

O futebol brasileiro, como o Brasil, precisa de um choque de capitalismo, manejado com planejamento e cobrança de resultados.

Bom começo seria a modernização da infra-estrutura e da gerência dos clubes, tornados empresas independentes e auto-sustentáveis.

Os que oferecem bons produtos e serviços progridem. Os incompetentes vão à falência.

É pedir demais? Ou quantas tragédias semelhantes devem se repetir?

2014 não é distante e há muito por fazer


Surpresa na Seleção Olímpica

Novembro 27, 2007

O técnico Dunga divulgou hoje a relação de jogadores convocados para integrarem a seleção olímpica do Brasil.

A maior surpresa não foi a predominância quase absoluta de jogadores de equipes nacionais, nem a presença de nomes como Alexandre Pato (MIL), Thiago Neves (FLU) e Breno (SPO), ou mesmo a ausência de atletas badalados como Lulinha (COR), Amaral (COR), Guilherme (CRU) e Hernandes (SPO).

Que nada!

Dunga desta vez se superou! Num lance criativo capaz de rivalizar em genialidade com o chapéu aplicado nele por Ronaldinho Gaúcho

A grande surpresa olímpica é… Toró! O polivalente meio-campista do Flamengo, revelado nas divisões de base do rival Fluminense.

Será louco ou visionário o treinador canarinho?

Antes de precipitarmos críticas ao nosso comandante, convém analisar Toró.

Ficha Técnica:

Rafael Toró Ferreira Francisco nasceu no dia 13/04/1986, no Rio de Janeiro (RJ). Tem 1,69m e 72kg. Veio do Fluminense. Estreou no dia 22/01/2006 (Portuguesa 2 x 2 Flamengo). Tem 51 jogos e 2 gols pelo Flamengo.
Campeão Estadual de 2005, pelo Fluminense. Pelo Flamengo, foi campeão da Copa do Brasil de 2006, da Taça Guanabara e do Campeonato Estadual de 2007.

Toró é jogador-chave no Flamengo de Joel Santana.

De segundo atacante promissor nas laranjeiras, o garoto foi aproveitado pelo técnico Ney Franco como segundo volante.

A ousadia de Ney não vingou, mas Toró fortaleceu a musculatura e aperfeiçoou sua capacidade de marcação.

Na era Joel Santana, passou a desempenhar novo papel em campo: terceiro/quarto meio de campo (a depender da situação do jogo). Portanto, função mais ofensiva e dinâmica que a anterior.

E o sucesso veio à galope junto com a ascensão do Flamengo no campeonato.

Toró se multiplica em campo: faz a cobertura dos laterais, dos volantes, pressiona a saída de bola dos adversários, corre, passa e ainda serve de quarta opção no ataque.

É um curinga. O tipo de jogador que se sacrifica pela manutenção do equilíbrio tático da equipe.

Limitado tecnicamente se comparado a outros jovens talentos, por outro lado, Toró detém em seu repertório: aplicação tática, raça, muita velocidade, resistência, bom controle de bola e a experiência de ser titular de um clube grande brasileiro.

Atributos que agradam ao estilo cauteloso de Dunga.

Se me perguntassem “você convocaria Toró para a seleção olímpica?” minha resposta viria de imediato: “não!”

Todavia, e pensando melhor, pode funcionar.