Mais uma final de Capixabão se aproxima e não faltam boas histórias para as duas equipes que decidirão o campeonato. São Mateus e Rio Branco lutam não somente em busca do título, mas também para acabar com jejuns indigestos. O Rio Branco, maior vencedor do Espírito Santo, com 35 títulos, passa por uma seca de 24 anos sem levantar uma taça. O São Mateus, fundado em 1963, nunca foi campeão estadual, o que alimenta o imaginário da população da cidade.
A “maldição do Sernamby” é uma das lendas mais curiosas do futebol capixaba. Mentira ou não, a mandinga tem seus fiéis defensores, que juram de pés juntos que a falta de sorte do São Mateus está atrelada a praga. Afinal, como explicar o fato da Associação ter no currículo quatro vice-campeonatos da 1º divisão (94-97-98-99)? “Azar, incompetência ou mérito dos adversários? Que nada! Culpa da macumba…” O engraçado é as conquistas do time alvianil são sumariamente esquecidas. Os campeonatos do interior e os dois títulos da segunda divisão (87 e 2008) nunca são lembrados. Quando confrontados sobre isso, os populares que acreditam na versão sobrenatural se saem com a frase “A maldição é apenas para o campeonato capixaba”.
A história começa na década de 60, quando seminaristas da Congregação Mariana decidem formar um clube de futebol, a Associação Atlética Paroquial. Com a regularidade, jovens de fora da Igreja ingressaram na equipe e passam a tomar o lugar dos religiosos. Com o abandono destes e a crescente participação da comunidade nas atividades do time, os integrantes decidiram alegar o usocapião (forma legal de aquisição de propriedade em função da posse continuada por vários anos, dependendo da legislação de cada país) sobre o campo, que pertencia a Igreja Católica, reivindicando a posse do espaço.
Reza a lenda que, revoltado com a perda do terreno, um padre da Paróquia de São Mateus amaldiçoou o campo do Sernamby, que mais tarde foi batizado como Estádio Manoel Moreira Sobrinho. Após aquela heresia o religioso rogou a praga que nenhuma equipe do município se consagraria campeão naquele gramado.
Nunca deram nome ao padre e ninguém confirma a história, mas bastava o São Mateus ser eliminado após uma boa campanha do campeonato que o burburinho sobre a lenda logo fazia eco nas arquibancadas do Sernamby. Toda vez que o “Pit Bull do Norte” decide um campeonato a imprensa da cidade trata logo de desmitificar a lenda. Entrevistam historiadores, clérigos, antigos jogadores e é claro, torcedores e populares. Sempre com a conclusão de que tudo não passa de conversa fiada! Verdade ou não, a Associação terá que vencer o Rio Branco para provar que tudo não passa de balela. A torcida está confiante como nunca no título, mas sempre fica com um pé atrás quando algum corneteiro se lembra do “padre da associação”.
Maio 29, 2009 às 3:41 pm |
Resta saber se a macumba do padre era tão forte que será capaz de tirar o Rio Branco dessa fila. Porque macumba por macumba, o trabalho que fizeram contra o Brancão também foi sinistro. Se bem que aí não deve ser trabalho de macumba, e sim de administrações mal-feitas mesmo.