Os 10 erros da Placar no Guia do Capixabão 2011

fevereiro 14, 2011

Erros acontecem, isso é fato consumado. Todo jornalista sofre com prazos apertados, fontes não-confiáveis, limites de caracteres e outros obstáculos normais na profissão. Fechar uma revista requer paciência e uma atenção danada, e mesmo assim pequenos deslizes acabam escapando aos olhos treinados do mais atento editor. Ao me deparar com o Guia da Placar 2011, atualmente nas bancas, vi alguns erros grosseiros na página referente ao futebol do Espírito Santo.

Como leitor assíduo da revista, senti vergonha de tamanha falta de respeito com os capixabas. Sei que as desculpas citadas acima caem bem na hora de justificar tais deslizes, mas ainda cultivo a máxima, aprendida nos bancos da faculdade de jornalismo, que a boa apuração, correta e sem atropelos, é o objetivo a ser alcançado pelo jornalista. E senti falta disso ao ler a referida matéria. Informações desconexas, erros primários e total falta de atenção não combinam com uma revista como a Placar, que cobre o futebol brasileiro há mais de 40 anos.

Para provar o que escrevi, apresento aqui todos os erros contidos na página 87 da edição especial número1350-C. E também trato de explicá-los, um por um, para mostrar o tamanho das bobeiras cometidas:


Erro 01: Uma mudança de ultima hora alterou o número de participantes de 10 para oito equipes. O texto explica que Jaguaré e Rio Bananal estavam com um pé fora do campeonato na data de fechamento da edição, o que não é verdade. De acordo com o redator-chefe da Placar, Arnaldo Ribeiro, a mesma foi fechada no dia 14 de janeiro. Mas a divulgação da desistência dos dois times foi noticiada pela mídia capixaba desde o dia 05. Portanto, tempo de sobra para que o deslize fosse corrigido. E não foi.

Erros 02 e 03: Um erro induz ao outro. Tanto que os perfis dos dois times desistentes, Jaguaré e Rio Bananal, estão confirmados. Mas esse foi o menor dos vacilos.

Erro 04: O Estrela do Norte, time da cidade de Cachoeiro de Itapemirim, foi vice-campeão da segundinha, e de fato, teria o acesso garantido para a elite. Só que devido a falsificação de um laudo médico, apresentado antes da disputa da série B, o clube foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD-ES) e viu a sua vaga ficar com o Colatina Sociedade Esportiva. A decisão foi tomada no dia 08 de agosto do ano passado. Mas parece que ninguém da Placar ficou sabendo disso, tanto que garantiu a participação do alvinegro, mesmo sem o nome da equipe constar na tabela publicada pela revista. Sim, não tiveram o trabalho nem de conferir se os times na tabela conferiam com os perfis apresentados.

Erro 05:  O Vilavelhense, um dos participantes do Capixabão criado pela Placar, também foi suspenso por um ano de todas competições oficiais pelo STJD-ES. Motivo: o clube canela verde desistiu de disputar a Copa ES, segunda competição do calendário capixaba, após a tabela do torneio ter sido divulgada. Isso no dia 13 de outubro de 2010. Ninguém se deu o trabalho de apurar isso também. E novamente o nome do Vila sequer constava na tabela.

Erro 06: Entre as informações do Vila, consta que o seu estádio é o Centro Esportivo Conilon, que na verdade é a praça do Jaguaré. Apesar de não ter estádio, o time canela-verde costuma mandar os seus jogos no Salvador Costa ou no Engenheiro Araripe, na Grande Vitória. Só para informação, o Conilon fica a quase 300 quilômetros de distância de Vila Velha.

Erro 07: Não foi incluído no Guia o escudo do Colatina, clube que herdou a vaga do Estrela no Tapetão. Só para constar, o nome do time também está na tabela publicada.

Erro 08: No campeonato capixaba de 2010 apenas a Desportiva Capixaba foi rebaixaba, pois o regulamento previa apenas uma queda. Isso foi decidido antes do torneio do ano passado, mas a falta de atenção da Placar deixou passar mais esse detalhe. Resultado: nada de perfil do Espírito Santo no Guia de 2011. E nem preciso dizer que o seu nome também está na tabela. Vergonha mesmo…


Erro 09: Pela desistência dos dois times, ficou decidido pelo não rebaixamento e 2011. Ou seja, nenhum time cai, mas dois irão subir para repor o número original do campeonato, de 10 participantes.

Erro 10: Tabela inútil e inválida. Quem comprou esta revista achando que poderia acompanhar o Capixabão quebrou a cara, assim como eu. O mais incrível foi perceber que times citados na tabela sequer estavam relacionados no espaço acima. Erro primário, falta de atenção gravíssima. Ficou a impressão de que a publicação não passou por uma revisão final, pratica comum em jornais, revistas, folhetins, propagandas de motéis, entre outros.

Por tudo isso que relatei, confesso que fiquei muito decepcionado com a Placar. Foi lendo as suas páginas que passei a nutrir a minha paixão pelo futebol, sempre pegando carona nos exemplares da assinatura do meu irmão mais velho, lá pelos idos de 1995. A revista tem uma parcela considerável de culpa por eu ter escolhido o jornalismo como profissão, e nunca neguei que chegar à redação da mesma seria o grande ponto da minha carreira. Além disso, como capixaba apaixonado pelo futebol do seu estado, fiquei mais triste ainda ao ver como a maior revista de futebol do Brasil trata os times e o campeonato do Espírito Santo. Concordo que nosso futebol é deplorável, mas tamanho descaso é um baita soco no estômago, um verdadeiro choque de realidade que me fez ver o quão relegados somos, mesmo tão próximos do Rio de Janeiro e São Paulo…


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