Um carro ou uma obra de arte? Os dois!
Um carro ou uma obra de arte? Os dois!

Ele foi tão bom, mas tão bom, que conseguiu a façanha de dar o único título mundial de Nigel Mansell, em 1992. Famoso pelas incontáveis trapalhadas e o raro talento, o britânico contou com um dos melhores carros da história para passear durante a temporada. Sem mais demoras, apresento para vocês o “alienígena” Willians FW14B!

Um bólido absurdo, que não competiu na temporada de 92, apenas venceu. O Willians FW14B simplesmente destruiu qualquer tipo de concorrência com números assustadores. Foram 10 vitórias, 21 pódios, 15 poles, campeão e vice no mundial de pilotos (Mansell e o italiano Ricardo Patrese), e o título de construtores.

Ayrton Senna chegou a declarar que o carro era de outro mundo, devido ao seu desempenho. Tamanhas eram as especulações que muita gente do paddock acreditou que o FW14B tinha um radar no bico, que rastreava todas as imperfeições da pista e mandava para uma central computadorizada do veículo, que repassava as informações para a suspensão ativa que fazia a correção. Tudo balela, é claro. Afinal, todos sabem que a inveja é uma m…

Lugar mais que garantindo no Panteão da F1!
Lugar mais que garantindo no Panteão da F1!

A letra “B”: A Willians já movia os seus pauzinhos para desenvolver a suspensão ativa desde 1987. Devido aos custos do projeto, até então proibitivos, o mesmo foi jogado em algum canto escuro do Box e lá ficou até 1990, quando Patrick Head, engenheiro-chefe da equipe, resolveu tirar o assunto da gaveta. Para colocar a suspensão ativa nas pistas Head contratou o projetista Adrian Newey, cria das divisões de base da March, um verdadeiro laboratório de ideias geniais ou terríveis da F1.

Em 1991, nasce seu filho mais famoso: o Willians FW14. Sim, assim mesmo, sem a última letrinha. E foi muito bem na temporada, mas nem a sua grande eficiência conseguiu frear o ano incrível pelo qual passavam a MacLaren e Ayrton Senna. Porém, em 1992, Patrick Head tirou uma carta da manga. Após estudos durante toda a temporada passada, Newey pode contar com a suspensão ativa, única novidade no modelo do ano, o que acrescentou o tal “B” no nome da fera.

Suspensão Ativa: Pode-se falar que a suspensão ativa foi a maior descoberta no automobilismo depois da roda. Todos ficavam boquiabertos com a Willians FW14B subindo e descendo nos boxes, a gosto da sua suspensão. Como o carro era muito baixo, praticamente colado no asfalto, a nova suspensão anularia todas as imperfeições do piso, fazendo ele voar em curvas e retas devido sua grande eficiência aerodinâmica.

É aqui que a mágica acontece...
É aqui que a mágica acontece…

Ao passar por uma ondulação ou um buraco, o amortecedor de um automóvel absorve parte do impacto e, ajudado por uma mola, levanta a roda para a posição em que estava. Na FW14B saem as molas e amortecedores e entram atualizadores hidráulicos e pistões com reservatórios de óleo pressurizado. Uma válvula eletrônica injeta mais óleo quando deve endurecer a deixa óleo sair quando a ordem é amolecer a suspensão.

Aí que entra a eletrônica inteligente da Willians, grande trunfo da temporada 92. Sensores espalhados pelas barras de suspensão liam as informações sobre a pressão sofrida pelas rodas e as repassavam para dois computadores no veículo. Com base nisso, calculavam (em tempo real) quanto os amortecedores deveriam baixar ou suspendê-lo. Outro recurso foi adotar o banco do piloto de acelerômetros (sim, igual o do seu celular, que vira a tela quando você vira ele de lado) que calculavam a inclinação do carro nas curvas e freadas e repassavam essas informações para a central computadorizada, que comandava a suspensão de acordo com esses parâmetros.

#Partiu #Carona #Brother_Bigode
#Partiu #Carona #Brother_Bigode

E os pilotos? Com tudo isso, o papel do deles era… era… Quase nenhum! Bastava manter o carro na faixa de asfalto (um desafio e tanto para Mansell!) e completar as voltas estipuladas pelo comitê organizador do Grande Prêmio disputado. A dupla de pilotos jamais fez jus aos equipamentos que tinham em mãos. Mas mesmo assim ficou com o título e o vice da temporada sem dificuldade alguma. Esse desempenho absurdo foi um dos motivos que fizeram Senna quase implorar para pilotar uma Willians, mas infelizmente (para o brasileiro, ou melhor, para todos os brasileiros) a FIA de Max Mosley decidiu banir a invenção em 1994. E em 93 Ayrton teve que assistir Alain Prost conquistar seu quarto mundial com a FW15, ainda com a suspensão ativa. Pena que no ano seguinte esse recurso não estaria no carro número 2 da escuderia naquele fatídico GP de San Marino…

Nunca mais a Willians foi a mesma...
Nunca mais a Willians foi a mesma…

NAS PISTAS
Poles: 15/15 (14 Mansell / 01 Patrese)
Voltas mais rápidas: 11 (08 Mansell / 03 Patrese)
Vitórias: 10 (09 Mansell / 01 Patrese)
Pontos: 164 (108 Mansell / 56 Patrese)

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